XVI — Mondragon
Chapitre XVI
ESTUDO DE CASO: AS COOPERATIVAS DE MONDRAGÓN
O grupo Mondragón, no País Basco espanhol, é a maior federação de cooperativas do mundo [103][104]. Fundado em 1956 por um padre católico, José María Arizmendiarrieta, emprega hoje mais de 80.000 pessoas em 95 cooperativas cobrindo indústria, finanças, distribuição e educação.
16.1 — O que funcionou
Longevidade e crescimento. 70 anos de existência contínua, com crescimento regular de 5% ao ano em média [103]. Mondragón atravessou a crise de 2008 e a pandemia de 2020 sem demissões em massa.
Solidariedade intercooperativa. As cooperativas excedentárias transferem fundos para aquelas em dificuldade. Um mecanismo de “relocalização” permite realocar trabalhadores de uma cooperativa para outra. Em 2013, quando Fagor (eletrodomésticos) faliu, 1.800 trabalhadores foram reabsorvidos por outras entidades do grupo [104].
Diferencial salarial limitado. A razão entre o salário mais elevado e o mais baixo é limitada a 1:6 na maioria das cooperativas (contra 1:300+ nas multinacionais) [103]. Esse diferencial moderado mantém a coesão sem desencorajar os talentos.
Resiliência às crises. Em vez de demitir, Mondragón reduz temporariamente os salários de todos durante as crises. A carga é compartilhada, ninguém é abandonado.
Educação integrada. A Universidade de Mondragón forma os futuros cooperadores. A ligação formação-emprego é direta.
16.2 — O que é problemático
Fracasso de Fagor. A maior cooperativa do grupo (eletrodomésticos) faliu em 2013 apesar dos mecanismos de solidariedade [104]. Prova de que o autofinanciamento tem seus limites diante da concorrência mundial.
Subcapitalização crônica. As cooperativas têm dificuldade em levantar capitais externos. O modelo “uma pessoa, um voto” torna o investimento externo pouco atrativo.
Dependência do mercado espanhol. A internacionalização permanece limitada. As filiais estrangeiras frequentemente não são cooperativas mas sociedades clássicas.
Tensão entre democracia e eficiência. As decisões tomadas coletivamente são às vezes lentas. A agilidade gerencial é sacrificada à consulta.
16.3 — O que mantemos do modelo Mondragón
- A solidariedade inter-estruturas: as CAs podem se ajudar mutuamente
- A relocalização dos trabalhadores em caso de dificuldade de uma unidade
- O diferencial salarial limitado que mantém a coesão
- A resiliência pelo compartilhamento da carga em vez de demissões
- A educação integrada que forma os futuros membros
16.4 — O que melhoramos
- Sem federação obrigatória: cada CA é autônoma, as parcerias são voluntárias
- Abertura a capitais externos: as CAs podem ter investidores (transparência sobre as regras)
- Sem ideologia cooperativa: algumas CAs podem ser empreendedoras com um fundador que toma uma margem
16.5 — O que não reproduzimos
- O teto salarial rígido: cada CA fixa suas próprias regras
- A solidariedade obrigatória: a transferência entre estruturas é voluntária, não imposta
- A exclusividade cooperativa: as CAs podem coexistir com empresas clássicas