E — Transição das pensões

Appendice E

TRANSIÇÃO DAS PENSÕES — DA REPARTIÇÃO À CAPITALIZAÇÃO

Referência: Capítulo VII (Proteger-se sem o Estado-providência)

E.1 — Por que a repartição é rejeitada

O sistema de aposentadoria por repartição — onde as contribuições dos ativos financiam as pensões dos aposentados atuais — sofre de defeitos estruturais irreparáveis.

Um sistema de tipo piramidal. A repartição só funciona se cada geração for mais numerosa (ou mais rica) que a precedente. É matematicamente idêntico a uma pirâmide de Ponzi: os últimos a chegar pagam pelos primeiros. Quando o crescimento demográfico se inverte, o sistema colapsa.

A escravização das gerações futuras. As crianças não escolheram nascer. No entanto, assim que começam a trabalhar, são forçadas a contribuir para pagar as pensões de seus mais velhos. Isso não é solidariedade — é uma obrigação imposta sem consentimento. A capitalização, por sua vez, libera cada geração: cada um poupa para si mesmo.

Uma dívida implícita colossal. Os sistemas de repartição acumularam promessas de pensões não financiadas. Esta “dívida implícita” representa tipicamente 200 a 300% do PIB — bem mais que a dívida pública oficial. É uma bomba-relógio que ninguém ousa encarar.

O conflito intergeracional. Quando a razão ativos/aposentados passa de 4:1 a 2:1 (o que está em curso em todos os países desenvolvidos), ou se baixa as pensões, ou se aumenta as contribuições. Nos dois casos, uma geração paga pelos erros das precedentes. A capitalização evita este conflito: cada um recupera o que poupou.

Nota: Dois estudos recentes da Fondapol abordam a questão da capitalização no sistema de aposentadoria francês. O primeiro [69] analisa as vantagens da capitalização como alavanca para sair do impasse demográfico e financeiro. O segundo [68] propõe modalidades concretas de transição para um sistema misto com 25% de capitalização. Estes trabalhos trazem uma contribuição séria ao debate mostrando que uma evolução para a capitalização é tecnicamente viável. Eles levantam, porém, uma questão de fundo: um sistema conservando 75% de repartição mantém a carga estrutural sobre os ativos e não resolve integralmente o problema intergeracional a longo prazo. A solução apresentada abaixo é mais radical: ela visa a extinção completa da repartição, com uma trajetória de transição documentada.


E.2 — O mecanismo de transição

Passar da repartição à capitalização é tecnicamente viável. Eis como.

O problema central. Os aposentados atuais têm direitos adquiridos no antigo sistema. Eles contribuíram toda a vida com a promessa de uma pensão. Não podemos abandoná-los. Mas se os ativos contribuem agora para sua própria capitalização, quem paga as pensões dos aposentados atuais?

A solução: o diferencial temporário. Durante a transição, um imposto temporário (o “diferencial”) financia as pensões dos aposentados do antigo sistema. Este diferencial:

  • Começa em aproximadamente 10-11% do PIB
  • Decresce progressivamente em 40 anos
  • Atinge 0% quando todos os aposentados do antigo sistema faleceram

Os novos ativos capitalizam. Desde o dia 1 da transição, os novos entrantes no mercado de trabalho contribuem para sua própria aposentadoria por capitalização. Eles não devem nada a ninguém.

Os ativos em meio de carreira. Aqueles que já contribuíram no antigo sistema conservam direitos proporcionais. Um ativo com 20 anos de carreira tem 50% de direitos no antigo sistema (pagos pelo diferencial) e capitaliza para os 50% restantes.

A extinção progressiva. Ano após ano, os aposentados do antigo sistema falecem. Os novos aposentados têm cada vez menos direitos no antigo sistema. O diferencial diminui mecanicamente até desaparecer.


E.3 — O quadro constitucional do financiamento

O financiamento da transição repousa sobre dois mecanismos complementares, ambos inscritos na constituição:

O diferencial: uma trajetória constitucional estrita

O diferencial segue um teto constitucional inviolável. Seu decréscimo (de 10% a 0% em 40 anos) é fixado antecipadamente e não pode ser modificado por razões conjunturais. É uma regra normativa, não um objetivo indicativo.

Por que esta rigidez?

  • Previsibilidade. Os atores econômicos (empresas, famílias) podem planejar em 40 anos. Sem más surpresas.
  • Impossibilidade de manipulação política. Nenhum governo pode prolongar o diferencial para financiar outra coisa. A tentação é eliminada na fonte.
  • Confiança intergeracional. Os jovens ativos sabem exatamente quando o diferencial desaparecerá. Eles não pagarão indefinidamente pelos erros das gerações precedentes.

Consequência lógica: o diferencial pode ser insuficiente. Certos anos, o fluxo de pensões a pagar excede o teto do diferencial. É previsível e previsto. A diferença é coberta por um empréstimo temporário: a dívida de transição.

O superávit orçamentário mínimo: o mecanismo de revezamento

O manifesto impõe um superávit orçamentário mínimo constitucional (ver capítulo V). Este superávit, fixado por exemplo em 2% do PIB, desempenha um papel crucial na transição das pensões.

Prioridade de afetação do superávit durante a transição:

  1. Amortização da dívida de transição — O superávit é prioritariamente afetado ao reembolso da dívida de transição, enquanto ela existe.
  2. Alimentação do fundo de reserva — Uma vez a dívida de transição quitada, o superávit retorna à sua função normal.

A passagem de revezamento. Quando o diferencial atinge 0% (ano 40), resta potencialmente uma dívida de transição residual e fluxos de pensões residuais a financiar. O superávit orçamentário assume então o revezamento:

  • Ele cobre os fluxos de pensões restantes (que decrescem naturalmente com a extinção dos últimos aposentados do antigo sistema)
  • Ele reembolsa a dívida de transição acumulada

Este mecanismo garante que a transição se conclua sem deixar fardo, mesmo após o fim do diferencial.

Por que a dívida de transição deve permanecer mínima

Não é uma dívida como as outras. A dívida de transição não é endividamento para financiar despesas correntes ou investimentos. É um mecanismo contábil temporário para suavizar o financiamento de direitos adquiridos.

Minimizar a dívida de transição é crucial por três razões:

  1. Rastreabilidade. Uma dívida baixa é fácil de seguir e explicar. Uma dívida elevada confunde as contas e abre a porta às manipulações.

  2. Custo dos juros. Toda dívida gera juros. Quanto mais baixa a dívida de transição, menos se paga de juros, mais rápido se sai.

  3. Confiança dos mercados. Uma dívida de transição controlada (próxima de zero graças ao superávit orçamentário) tranquiliza os investidores. Ela não se soma à dívida pública de forma preocupante.

Resultado na simulação. Graças ao superávit orçamentário mínimo de 2% do PIB (cerca de 17 bilhões € no primeiro ano, crescendo com o PIB), a dívida de transição permanece quase nula ao longo da transição. Os empréstimos temporários são reembolsados no mesmo ano ou no ano seguinte.

Mecanismo de revezamento: diferencial → superávit orçamentário Mecanismo de revezamento: diferencial → superávit orçamentário Figure E.28 — Mecanismo de revezamento entre o diferencial e o superávit orçamentário

Superávit orçamentário e dívida de transição Superávit orçamentário e dívida de transição Figure E.29 — Superávit orçamentário mínimo e seu uso para a dívida de transição

Parâmetros constitucionais configuráveis

Os parâmetros seguintes são inscritos na constituição e modificáveis unicamente por maioria de quatro quintos de cada câmara:

ParâmetroValor padrãoDescrição
differentiel_initial10% do PIBTeto inicial do diferencial
duree_decroissance_differentiel40 anosDuração de decréscimo a 0
methode_differentiellinearPerfil de decréscimo
surplus_budgetaire_minimal_pct_pib2% do PIBSuperávit constitucional mínimo
surplus_max_pour_dette_transition_pct100%Parte do superávit afetável à dívida de transição

Estes parâmetros são transparentes, rastreáveis e falsificáveis. O simulador permite verificar seu impacto ano a ano.


E.4 — Resultados das simulações

Um simulador modelou esta transição para vários países europeus. Eis os resultados.

Ponto essencial: A simulação demonstra que a transição elimina simultaneamente as duas dívidas:

  • A dívida pública nominal (104% do PIB para a Bélgica) — reembolsada integralmente
  • A dívida implícita das pensões (222% do PIB) — o sistema de repartição é inteiramente quitado

O modelo prova que é possível fazer ambos no período de transição, sem deixar fardo às gerações futuras.

Duração da transição

PaísDuração totalComentário
Polônia72 anosDemografia mais favorável
Países Baixos76 anosSistema misto existente ajuda
Bélgica77 anosCenário de referência
França82 anosDívida implícita elevada
Alemanha83 anosEnvelhecimento avançado
Espanha84 anosDesemprego estrutural
Itália151 anosNecessita ajustes suplementares

Duração da transição por país Duração da transição por país Figure E.30 — Duração da transição por país

Conclusão: A transição leva 2 a 3 gerações, exceto casos extremos.

Esforço de transição (diferencial)

  • Máximo: 8-11% do PIB segundo os países
  • Duração de decréscimo: 40 anos
  • Método: Linear ou progressivo

Este esforço é comparável aos descontos atuais para as aposentadorias. A diferença: é temporário e decrescente.

Esforço de transição: o diferencial decrescente Esforço de transição: o diferencial decrescente Figure E.31 — Esforço de transição: o diferencial decrescente

Evolução das dívidas — Tabela completa (Bélgica)

A tabela abaixo mostra a evolução ano a ano da transição. Vê-se claramente como as duas dívidas convergem a zero: a dívida pública (reembolsada em 28 anos) e a dívida implícita das pensões (quitada em 76 anos).

Nota sobre a queda de dívida no ano 1: A queda brutal da dívida pública entre o ano 0 (104%) e o ano 1 (79%) explica-se pela hipótese de uma venda maciça de ativos públicos que não fazem mais parte do papel quase exclusivamente estatal no quadro do novo pacto social. Trata-se notadamente:

  • das escolas (a educação se torna privada com vouchers escolares)
  • dos portos e aeroportos
  • das empresas públicas ou participações do Estado
  • de certos hospitais
  • eventualmente de quartéis de bombeiros
  • e outros ativos imobiliários ou financeiros

Estas privatizações não são uma “venda da prataria” — são a consequência lógica do recentramento do Estado em suas funções de soberania.

Hipótese otimista de venda em um ano. A simulação supõe que estes ativos são vendidos desde o primeiro ano. Na realidade, isso levará provavelmente vários anos para obter um preço correto. Uma venda precipitada equivaleria a liquidar os ativos públicos. O calendário real dependerá das condições de mercado e da capacidade de absorção dos investidores.

Validação popular obrigatória. Para evitar qualquer compadrio ou corrupção, cada cessão de ativo significativo deverá ser validada por referendo. A transição será uma oportunidade inesperada para aqueles que quereriam se aproveitar indevidamente — só o controle popular direto pode garantir que as vendas se façam no interesse geral e ao preço justo. A avaliação dos ativos públicos e as modalidades de cessão são desafios consideráveis [107].

AnoPIB (Bi€)Dif. %Dívi. Púb. %Dívi. Pensões %
085011,82104,00222,35
188011,2279,09203,86
291110,6277,11186,57
394210,0275,14170,43
49759,4273,17155,42
510108,8471,20141,48
610458,2769,24128,58
710818,0067,28116,65
811197,7565,04105,66
911587,5062,5295,54
1011997,2559,7586,26
1112297,0057,4178,50
1212606,7554,9171,34
1312916,5052,2764,72
1413236,2549,5058,62
1513576,0046,6453,01
1613905,7543,7047,86
1714255,5040,6943,14
1814615,2537,6538,82
1914975,0034,5934,87
2015354,7531,5431,26
2115664,5028,6728,12
2215974,2525,8325,24
2316294,0023,0522,62
2416613,7520,3320,22
2516953,5017,7018,05
2617283,2515,1516,07
2717633,0012,7114,27
2817982,7510,3912,64
2918342,508,1911,18
3018712,256,139,85
3420251,010,005,79
4022810,670,002,39
4525180,460,001,08
5027800,350,000,46
5530690,280,000,19
6033890,240,000,07
6537420,210,000,02
7041310,180,000,01
7646520,160,000,00
Tableau E.13 — Evolução das duas dívidas durante a transição (Bélgica)

Resultado final: As duas dívidas estão a zero. A dívida pública é reembolsada em 34 anos, a dívida implícita das pensões é quitada em 76 anos. O país é liberado de todo fardo.

Bélgica: extinção das duas dívidas em 76 anos Bélgica: extinção das duas dívidas em 76 anos Figure E.32 — Bélgica: extinção das duas dívidas em 76 anos

Impacto sobre os salários — Tabela completa (Bélgica)

A tabela abaixo mostra a evolução do salário líquido para diferentes níveis de rendas, ano a ano.

Esta tabela integra o ganho da abolição dos impostos indiretos (IVA, impostos sobre consumo, impostos prediais). Estes impostos regressivos [81][82] pesam mais sobre as baixas rendas — sua abolição é portanto integrada diretamente no cálculo do líquido. Os valores de seguro são calculados sem impostos [83] já que os impostos sobre as operações de seguro (9,25% geral, 2% seguro de vida) também são abolidos. Todos os salários são ganhadores desde o primeiro dia. Nenhum mecanismo corretivo é necessário.

AnoDif. %2000€ Líq.Desc. %3000€ Líq.Desc. %4000€ Líq.Desc. %5000€ Líq.Desc. %7000€ Líq.Desc. %10000€ Líq.Desc. %
-1Atual1100€45,0%1650€45,0%2200€45,0%2750€45,0%3850€45,0%5500€45,0%
011,821350€32,5%2036€32,1%2701€32,5%3371€32,6%4679€33,2%6668€33,3%
111,221362€31,9%2054€31,5%2725€31,9%3401€32,0%4721€32,6%6728€32,7%
210,621374€31,3%2072€30,9%2749€31,3%3431€31,4%4763€32,0%6788€32,1%
310,021386€30,7%2090€30,3%2773€30,7%3462€30,8%4805€31,4%6848€31,5%
49,421398€30,1%2108€29,7%2797€30,1%3491€30,2%4847€30,8%6908€30,9%
58,841409€29,5%2126€29,1%2820€29,5%3520€29,6%4888€30,2%6966€30,3%
68,271421€29,0%2143€28,6%2843€28,9%3549€29,0%4928€29,6%7023€29,8%
78,001426€28,7%2151€28,3%2854€28,6%3562€28,7%4946€29,3%7050€29,5%
87,751431€28,4%2158€28,1%2864€28,4%3575€28,5%4964€29,1%7075€29,2%
97,501436€28,2%2166€27,8%2874€28,1%3588€28,2%4982€28,8%7100€29,0%
107,251441€28,0%2174€27,6%2884€27,9%3600€28,0%4999€28,6%7125€28,7%
156,001466€26,7%2211€26,3%2934€26,7%3662€26,8%5086€27,3%7250€27,5%
204,751491€25,4%2248€25,1%2984€25,4%3725€25,5%5174€26,1%7375€26,2%
253,501516€24,2%2286€23,8%3034€24,1%3788€24,2%5262€24,8%7500€25,0%
302,251541€22,9%2324€22,6%3084€22,9%3850€23,0%5349€23,6%7625€23,8%
341,011566€21,7%2361€21,3%3134€21,7%3912€21,8%5436€22,3%7749€22,5%
400,621574€21,3%2372€20,9%3149€21,3%3932€21,4%5463€22,0%7788€22,1%
500,331579€21,0%2381€20,6%3161€21,0%3946€21,1%5483€21,7%7817€21,8%
600,231581€20,9%2384€20,5%3165€20,9%3951€21,0%5491€21,6%7827€21,7%
700,181582€20,9%2386€20,5%3167€20,8%3954€20,9%5494€21,5%7832€21,7%
750,161583€20,9%2386€20,5%3168€20,8%3954€20,9%5495€21,5%7834€21,7%
Tableau E.14 — Impacto sobre os salários durante a transição (Bélgica)

Efeito combinado desde o ano 0 (diferencial + abolição impostos indiretos)

Nota importante: O impacto do diferencial inclui JÁ o pagamento dos 4 seguros privados obrigatórios (saúde 73€, desemprego 37€, pensão 59€, educação 46€ = 215€/mês). Estes seguros substituem as prestações atualmente financiadas pelo imposto. O ganho exibido é portanto LÍQUIDO de todos os encargos.

Salário BrutoLíq. AtualImpacto novo sistema*Ganho impostos ind.Efeito líquido
2000€1100€+74€+176€+250€/mês
3000€1650€+155€+231€+386€/mês
4000€2200€+237€+264€+501€/mês
5000€2750€+319€+302€+621€/mês
7000€3850€+482€+346€+829€/mês
10000€5500€+728€+440€+1168€/mês

* Novo sistema = flat tax 25% + diferencial 11,82% + seguros privados 215€/mês Tableau E.15 — Efeito combinado desde o ano 0

Todos os salários são ganhadores desde o primeiro dia! E isso, mesmo pagando os 215€ de seguros privados que substituem a seguridade social atual.

Ano 0: efeito combinado em cascata Ano 0: efeito combinado em cascata Figure E.33 — Ano 0: efeito combinado em cascata

Evolução do poder de compra durante a transição

O gráfico seguinte mostra como o poder de compra evolui ano a ano para cada nível de salário, do ano 0 até o fim da transição.

Evolução do poder de compra durante a transição Evolução do poder de compra durante a transição Figure E.34 — Evolução do poder de compra durante a transição

Ganho de poder de compra ao fim da transição

Salário BrutoLíq. AtualLíq. FinalGanho €/mêsGanho %
2000€1100€1583€+483€+43,9%
3000€1650€2386€+736€+44,6%
4000€2200€3168€+968€+44,0%
5000€2750€3954€+1204€+43,8%
7000€3850€5495€+1645€+42,7%
10000€5500€7834€+2334€+42,4%
Tableau E.16 — Ganho de poder de compra ao fim da transição

Fim de transição: efeito combinado em cascata Fim de transição: efeito combinado em cascata Figure E.35 — Fim de transição: efeito combinado em cascata

Ganho de poder de compra ao fim da transição Ganho de poder de compra ao fim da transição Figure E.36 — Ganho de poder de compra ao fim da transição

O ganho relativo é mais favorável às baixas rendas. A abolição dos impostos indiretos representa +16% do líquido para um salário de 2000€, contra apenas +8% para um salário de 10000€. Os impostos regressivos pesavam proporcionalmente mais sobre os pequenos orçamentos — sua supressão reequilibra naturalmente o sistema.

Nenhum mecanismo corretivo é necessário. O sistema é equitativo desde o início. Qualquer exceção ao princípio de uma alíquota única (flat tax) abriria uma caixa de Pandora que poderia ser explorada para corromper o sistema no futuro.


E.5 — Os parâmetros-chave

O que acelera a transição:

  • Privatizações (venda de ativos públicos para reembolsar a dívida)
  • Crescimento econômico mais forte
  • Redução solidária das pensões (ex: -10%)
  • Idade de partida mais tardia

O que retarda a transição:

  • Dívida pública inicial elevada
  • Dívida implícita (promessas de pensões) elevada
  • Baixo crescimento
  • Envelhecimento demográfico rápido

O que não muda o resultado final:

  • O perfil do diferencial (linear ou progressivo)
  • O método de cálculo dos direitos proporcionais

A transição acontece em todos os casos. Só a duração varia.

Nota sobre o cenário de crescimento. A simulação utiliza uma hipótese de crescimento moderado (cerca de 3,5% nominal). Este cenário é provavelmente pessimista. Com efeito, com a passagem à flat tax e a redução maciça dos descontos obrigatórios, numerosos países se encontrarão do lado correto do topo da curva de Laffer [80]: uma fiscalidade mais leve estimula a atividade econômica, amplia a base fiscal e pode mesmo aumentar as receitas totais. O crescimento real poderia portanto ser superior às projeções, o que aceleraria o reembolso das dívidas e facilitaria a transição.

Efeito sobre os baixos salários. Um crescimento mais rápido significa também aumentos salariais mais rápidos para todos, incluindo as baixas rendas. Estes se beneficiariam portanto mais do novo pacto social do que mostram as simulações. Além disso, como demonstrado na tabela “Efeito Combinado”, a abolição dos impostos indiretos beneficia proporcionalmente mais as baixas rendas (+16% do líquido para um salário de 2000€ vs +8% para 10000€). O sistema é portanto naturalmente mais favorável aos pequenos orçamentos — sem que nenhum mecanismo corretivo seja necessário.

Lembrete: o efeito dos impostos indiretos muda tudo. Como demonstrado na tabela “Efeito Combinado” acima, a abolição dos impostos indiretos (IVA, impostos sobre consumo, impostos prediais) — que pesam proporcionalmente mais sobre as baixas rendas [81][82] — transforma completamente o balanço. Mesmo o salário mais modesto é ganhador desde o primeiro dia da transição (+142€/mês para um salário bruto de 2000€).


E.6 — Neutralidade de poder de compra e redução da necessidade de financiamento

Princípio-chave (ver Capítulo VIII). O modelo raciocina em poder de compra líquido, não em valores nominais. A abolição dos impostos indiretos significa que uma pensão nominalmente mais baixa no novo sistema pode oferecer o mesmo poder de compra — até superior — que no antigo. Uma pensão de 1.200€ sem IVA pode valer tanto quanto uma pensão de 1.500€ em um sistema com 20% de impostos sobre o consumo.

Consequência para a transição: O fluxo real necessário ao financiamento das pensões herdadas do antigo sistema é reduzido. O diferencial temporário é aliviado — sem diminuição dos direitos econômicos efetivos dos aposentados. Não é uma “baixa das pensões” — é uma adaptação ao novo quadro fiscal.


E.7 — Os direitos adquiridos são respeitados

Aposentados atuais. Eles conservam suas pensões (eventualmente reduzidas de 10% por “redução solidária”). Nada muda para eles, exceto a fonte de financiamento.

Ativos próximos da aposentadoria. Eles têm direitos proporcionais a seus anos de contribuição no antigo sistema. Estes direitos são honrados.

Jovens ativos. Eles passam diretamente à capitalização. Eles não devem nada a ninguém e recuperam o que poupam.


E.8 — Conclusão: é viável — e está demonstrado

Um simulador completo modelou esta transição para 7 países europeus, com parâmetros explícitos e um código fonte verificável. Os resultados são coerentes e robustos:

  • Viabilidade demonstrada: todas as dívidas (pública e implícita) convergem a zero
  • Duração razoável: 70 a 85 anos (2 a 3 gerações), exceto casos extremos
  • Esforço temporário suportável: diferencial de 8-11% do PIB durante 40 anos
  • Ganho final para todos: 33 a 41% de poder de compra a mais na chegada
  • Robustez testada: mesmo os cenários pessimistas terminam bem

O simulador não esconde nada: as hipóteses são explícitas, os limites são documentados, os problemas de equidade temporal são identificados com suas soluções (progressividade do diferencial).

A escolha não é entre “dor” e “sem dor”. É entre dor temporária (a transição) e dor permanente (o colapso do sistema de repartição).


E.9 — Simulador

Um simulador completo permite modelar esta transição para qualquer país, com parâmetros ajustáveis (crescimento, demografia, privatizações, etc.). Ele gera projeções ano a ano, tabelas de impacto sobre os salários e gráficos de visualização.

O simulador está disponível para download: simulador_transicao_pensoes.zip

Para mais detalhes:

  • Guia de utilização da interface gráfica: Apêndice F
  • Metodologia e limites do modelo: Apêndice F

Retorno ao capítulo VII

🌍 Langue

Chargement des langues...
Le libertarianisme libertaire
Les trois principes
⚖️ Qui paie décide — mais pas de tout.
Qui élit révoque — souveraineté permanente.
💪 Qui tombe se relève — ni assisté, ni abandonné.

Ce document décrit les moyens de faire vivre ces trois principes.

⤵️